TODA FORMA DE AMOR É VÁLIDA?
A frase "amor é amor" e seu sinônimo "toda forma de amor é válida" é uma realidade presente, infelizmente, de forma exagerada no mundo pós-moderno. O inimigo não é chamado de "pai da mentira" por coincidência. Seu papel é distorcer a verdade de Deus. E a verdade sobre o amor não podia ficar de fora de sua missão, já que se trata da realidade que os seres humanos mais relacionaram com o divino na história.
Meu objetivo nesta reflexão é tentar responder até que ponto aquilo que fazemos pode ser justificado com base no "amor". Feito isso, quero apresentar a visão cristã de amor, demonstrando como ela destoa da realidade do século XXI.
Sabemos que as manifestações artísticas não só expressam as realidades da sociedade, mas propõem uma nova sociedade. Com base nisso, quero fazer referência a uma frase da série Dark, produzida pela Netflix:
"Tudo o que Adam e Eva fizeram nesse mundo foi por amor."
Não vou dar spoiler da série, então vou me deter ao conteúdo da frase. O contexto dela faz muito sentido com o tema desta reflexão: há uma tentativa de preencher a narrativa com um elemento transcendental, a saber, o amor. Acredito que poucos ou nenhum roteirista diria que tudo aquilo que os seus personagens principais realizaram durante a trama foi motivado pelo egoísmo. "Tudo o que eles fizeram foi por amor" parece tão divino, mas quero demonstrar para você que pode ser tão diabólico também. E diabólico não só na ficção, mas na realidade de todos nós. Quantas vezes observamos alguém justificar atitudes insanas dizendo que foi por "amor"?
O jovem que pede para ter relações sexuais com a namorada como prova do "amor" dela por ele; a mãe que briga com tudo e com todos, menos com o filho rebelde, dizendo que é por "amor de mãe"; o amigo sufocante que não suporta esperar um minuto por uma resposta no WhatsApp e afirma que faz isso por "amor"; a pessoa que morreria ou mataria alguém pela causa de seu partido político alegando "amor à pátria"; ou o homem que trai a esposa e diz que foi por "amor-próprio". Os exemplos são inumeráveis.
Agora, você pode perguntar: por que isso é diabólico e não divino?
C.S. Lewis afirma: "O amor torna-se um demônio no momento em que se torna um deus". Isso acontece a partir do momento em que esse dito "amor" reivindica para si autoridade divina, justificando todas as ações como louváveis e corretas. Aqui voltamos ao início: "toda forma de amor é válida", será mesmo?
Vamos levar essa afirmação até suas últimas consequências. Se a frase “toda forma de amor é válida” fosse uma verdade absoluta, a própria sociedade não precisaria impor limites a ela — o que é uma ilusão. O que a cultura pós-moderna faz é criar uma moralidade seletiva: tolera o "amor" que lhe convém, mas recua horrorizada diante de formas consensuais de afeto que desafiam seus próprios tabus.
Pensemos no incesto consensual entre dois adultos, ou no pacto de suicídio por amor entre dois jovens. Se o sentimento puro e sincero dos envolvidos fosse o único critério para validar uma ação, seríamos forçados a aprovar essas práticas. Mas até o relativista percebe que a mera existência de um sentimento não é suficiente para legitimar uma conduta. O amor sem uma balança moral objetiva torna-se um impulso cego.
Não, isso não é "amor", absolutamente. Todos os exemplos citados podem ser luxúria, sensualidade, doença ou qualquer outra coisa, menos amor. A Verdade existe e, portanto, a Verdade sobre o amor também existe. Neste assunto, eu sento e observo o próprio Deus me ensinar o que é amor. Jesus me ensinou vivendo e morrendo. E não há texto melhor que 1 Coríntios 13 para ver esse caráter:
"O amor é paciente e bondoso. O amor não é ciumento, nem presunçoso. Não é orgulhoso, nem grosseiro. Não exige que as coisas sejam à sua maneira. Não é irritável, nem rancoroso. Não se alegra com a injustiça, mas sim com a verdade. O amor nunca desiste, nunca perde a fé, sempre tem esperança e sempre se mantém fir
me." (vv. 4-7)
O evangelho é o que me motiva e me capacita a viver esse amor. O jovem que pressiona a namorada ignora que o amor é paciente e bondoso. Se a amasse, esperaria e respeitaria a decisão dela. A mãe que encobre os erros do filho ignora que o amor não se alegra com a injustiça, mas com a verdade. Ela deveria reconhecer a realidade sobre as atitudes do filho. O amigo sufocante ignora que o amor não é ciumento. Ele deveria respeitar a distância saudável e reconhecer que não é o centro do universo. O fanático político ignora que o amor não exige que as coisas sejam à sua maneira, devendo reconhecer que a causa do seu partido pode não ser o melhor para a sociedade. O homem que adultera alegando "amor-próprio" ignora que o amor não é grosseiro, não busca seus próprios interesses e se mantém firme.
Aquele que ama verdadeiramente não ignora nenhuma dessas facetas, porque reconhece que qualquer "amor" diferente disso é apenas egoísmo vestindo a máscara do divino. E as consequências de afastar-se do modelo do Criador são terríveis.
Eu ocultei o restante da frase da série Dark de forma intencional para citá-la agora. A declaração completa é: "Tudo o que Adam e Eva fizeram nesse mundo foi por amor, mas isso só levou a dor e sofrimento".
Dor e sofrimento foram as consequências marcantes na narrativa, assim como são na vida de todos aqueles que transformaram o amor em um demônio. Aquele que ama verdadeiramente segundo Deus também sofre — mas sofre pelo outro, a exemplo de Cristo, e não por seus próprios desejos desordenados.
Escrito por: Wellington Ribeiro.
Revisado por: Monize Yasmin.
Design: Paulo Cezar.

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