NÃO GOSTAMOS DE FINAIS

NÃO GOSTAMOS DE FINAIS
"No fundo sabemos que não fomos feitos para os términos"


A canção The Scientist, da banda Coldplay, revela um sentimento profundo e universal: o ser humano sabe, no íntimo, que há algo errado com a existência e que uma interferência invisível insiste em sabotar nossas histórias. 

A letra narra a dor de quem lamenta o término de um relacionamento, desejando desesperadamente voltar ao início para recomeçar. Mais do que uma simples música sobre desamor, ela expõe a tentativa frustrada de explicar o afeto pela lógica e pelos números — e a constatação de que a razão não dá conta do coração. Diante de um fim, somos confrontados com a incômoda intuição de que não fomos projetados para o encerramento.

Pare por um instante e pense nos finais que você já teve de enfrentar. A reação quase imediata é de desconcerto e rejeição. Nós perdemos o chão. A sensação visceral nesses momentos é a de que as peças da vida foram arrancadas de suas posições originais e estão fora do lugar.

Se existe um desarranjo na realidade, temos o direito de buscar sua causa. É aqui que a cosmovisão cristã lança uma luz esclarecedora sobre o nosso desconforto. A Escritura afirma que Deus criou o mundo perfeito e bom, mas o pecado rompeu essa harmonia. Quando o ser humano escolheu a independência em relação ao Criador, a finitude e a ruptura entraram na história.

O resultado disso foi catastrófico: a era dos términos teve início. A comunhão com Deus se rompeu e, longe de Cristo, resistimos à presença dele no cotidiano. O relacionamento com os outros ruiu: ergue-se a autodefesa, esconde-se quem realmente somos e transfere-se a culpa para o próximo. 

A harmonia interior se perdeu, restando apenas um autoconhecimento falho e uma inconstância crônica — amamos hoje o que descartaremos amanhã. Até nosso vínculo com a criação foi envenenado, oscilando entre a exploração gananciosa e a adoração idólatra.

É por isso que o vocalista do Coldplay insiste nos versos: “…oh, voltemos ao princípio…” e “…eu estou voltando para o início…”. No fundo, carregamos a memória dolorosa de uma plenitude perdida. Não gostamos de finais porque fomos feitos para a continuidade.

A dor de ver as coisas "fora do lugar" é o eco da eternidade que Deus plantou no coração humano. Nossa nostalgia do "felizes para sempre" não é uma ilusão infantil, mas um indicador de destino. 

A única resposta capaz de saciar esse anseio é o reencontro com Jesus — o único que pode restaurar o que foi quebrado e garantir a continuidade de tudo o que é belo, verdadeiro e bom por toda a eternidade.

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