VOCÊ PODE ESTAR PROCURANDO ALGUÉM QUE NÃO EXISTE
Segundo Juliana Bezerra*, no livro modernidade líquida, o sociólogo Zygmunt Bauman argumenta que a liquidez e a inconstância seriam características que vieram desorganizar todas as esferas da vida social tal qual a conhecíamos até o momento.
Isso significa que os indivíduos na sociedade líquida costumam considerar como uma atitude mais racional a de não se comprometer com nada, seja lá o que for. Logo, quando uma nova oportunidade ou ideia surge, essas pessoas se engajam sem maiores dificuldades.
A primeira publicação do livro foi em 1999, mas você já conseguiu perceber que a mensagem do livro é para os nossos dias e talvez seja até a volta de Jesus. O que isso tem a ver com "relacionamentos amorosos?” Minha resposta é: tudo.
Relações banalizadas
Observe as relações de namoro, noivado e casamento atuais e veja que palavras como compromisso, lealdade e fidelidade estão anos-luz de distância do cotidiano de uma grande parcela da nossa sociedade. O resultado disso foi à banalização dos relacionamentos. Consequentemente, a vulgarização das relações também banalizou o ato sexual. "Sexo sem compromisso" são o status e o stories de uma grande parte da população.
Ainda há esperança
Por outro lado, existe um grupo menor de pessoas que defende o compromisso, a fidelidade e a lealdade nos relacionamentos. Quero acreditar que todos que foram alcançados pelo evangelho fazem parte deste grupo, já que na cosmovisão cristã atitudes de compromisso, fidelidade e lealdade nos relacionamentos são requisitos obrigatórios.
O grande perigo dos 'jovens adultos'
Contudo, grande parte dos jovens adultos que defendem esse tipo de relacionamento se encontra solteira. Uma parte da explicação dessa realidade é a futilidade, liquidez e a inconstância da sociedade atual, como argumenta o sociólogo Zygmunt Bauman. Não há sombra de dúvida que esta “liquidez” gerou relações frustradas, com traumas imensuráveis. Na minha visão é aqui que reside o grande problema dos “jovens adultos”.
A construção de uma projeção mental
O restante da explicação, para esse grupo permanecer solteiro, é a construção de uma projeção mental de alguém irreal. Para as garotas esse alguém poderia ser chamado de “o homem dos meus sonhos”; para os garotos a “mulher da minha vida”.
No fundo sabemos que temos a tendência de desejar alguém que se encaixe perfeitamente no projeto mental que temos de um (a) companheiro (a). Apesar dos termos “príncipe” e “princesa” serem clichês românticos, eles traduzem bem o que muitas vezes queremos. A grande questão é que esse alguém não existe.
Consequências da projeção mental
Esperar que a pessoa que venhamos a nos relacionar seja igual ao nosso projeto mental é desgastante emocionalmente, antes da relação para o indivíduo e durante o relacionamento para ambos. Além disso, pode acabar levando ao fim um relacionamento promissor.
Conclusão
Percebe como temos a tendência de transitar nos extremos: não quero ninguém fútil e quero alguém “perfeito”. Jovens adultos cristãos, busquemos o equilíbrio. Ainda há pessoas que não se renderam a este estilo de vida líquido e fútil, mas elas não se encaixarão em nosso projeto mental perfeitamente.
Dito isso, ao escolher alguém, a tarefa mais importante de ambos deve ser contemplar diariamente as perfeições do Deus trino e inspirar-se na harmonia e na convergência deste relacionamento eterno.
Significados de algumas palavras
Compromisso: obrigação assumida por uma ou diversas partes.
Fidelidade: constância nos compromissos assumidos com outrem.
Lealdade: fidelidade aos compromissos assumidos.
Observações:
O termo ‘namoro’ não existe na Bíblia. Contudo, podemos aplicar princípios bíblicos gerais para essa prática ‘moderna’.
Biblicamente não podemos elevar o namoro ao mesmo nível do noivado e casamento. Entretanto, isso não elimina algum nível de compromisso, fidelidade e lealdade. Não podemos adotar as práticas de namoro desse sistema contrário a Deus e achar isso normal. A prática do namoro cristão deve ter como objetivo final o noivado e posteriormente o casamento.
O noivado e o casamento em termos bíblicos estão no mesmo nível de compromisso, fidelidade e lealdade. A única diferença, é que no casamento os dois já são uma só carne, isto é, já tiveram relações sexuais.
Referências:
*Juliana Bezerra é Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.

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