REALIDADE VIRTUAL E O PERIGO RELACIONAL

 


Na grande história de Deus, o ato da Criação é fundamental para entendermos o ser humano. Nesse ato, vemos que o ser humano recebeu três mandatos: o espiritual, o social e cultural. Leandro Lima [1], explicando esses mandatos, afirma: “Deus idealizou para a coroa de sua criação três relacionamentos, que fariam com que o sentido da existência humana fosse completo (...) Na integração desses elementos o homem encontraria sua plena realização e felicidade".

Entender o mandato social é vital para compreendermos o perigo relacional que o mundo virtual oferece para nossa vida. Leandro Lima [2], comentando sobre este mandato disse que Deus deu ao ser humano a bênção do companheirismo (Gn 2:18). Hoje sabemos, com o avanço científico, que não é exagero dizer que sem relacionamentos 'reais', o ser humano não é ser humano.

Haidt e Lukianoff, no livro The Coddling of the American Mind [3], disseram que: “A arquitetura neural humana evolui sob condições de contato com outros em contínuo face-a-face e uma queda ou a remoção de inputs chaves podem arriscar desestabilizar o sistema”. Logo, para que sejamos humanos conforme a revelação especial (Escrituras) e geral (Criação) de Deus nos mostra, precisamos ter relacionamentos reais e presenciais.

Isso não quer dizer que não possamos estender nossos relacionamentos para o mundo virtual. Em algumas fases da nossa vida, algumas amizades só podem ser mantidas pela existência dessa realidade virtual. Assim como em momentos de isolamento social, como numa pandemia. Só não podemos pensar que ao relacionar-se virtualmente podemos desistir de relações no mundo real e continuarmos sendo humanos.

No livro Jogador Número 1, o personagem principal reconhece que o fato dele ter passado muito tempo de sua infância no Óasis - o mundo virtual da trama - trouxe consequências maléficas para seu relacionamento com o próximo. Ele disse o seguinte [4]: “Eu era tímido de doer, um menino retraído, com baixa autoestima e quase sem habilidades sociais - um efeito colateral por ter passado a maior parte da infância dentro do OASIS”.

Read Mercer, em seu artigo Mídias Sociais e a Perda da Comunicação Corporificada, mostra que, se não tivermos relacionamentos reais, as pessoas também não saberão de fato que somos cristãos. Ele disse: "Os cristãos devem ser conhecidos por seu amor - altruísmo caridoso em sacrificar a si mesmo por outras pessoas que consideramos mais importante que nós (Fp 2:3). Eles não saberão que somos cristãos pelo nosso avatar digital". Logo, não só deixaremos de ser humanos, como também deixaremos de testemunhar a respeito de Cristo.



Referências:

[1] As Grandes Doutrinas da Graça,v.1. Leandro Lima. Editora Aghatos Ltda.

[2] Idem.

[3] The Coddling of the American Mind: How Good Intentions and Bad Ideas Are Setting Up a Generation for Failure (English Edition). Greg Lukianoff e Jonathan Haidt. Editora Penguin Press.

[4] Jogador Nº 1. Ernest Cline. Editora Leya.



Escrito por: Wellington Ribeiro.

Revisado por: Monize Yasmin.

Design: Paulo Cezar.



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