ABANDONE O SONHO AMERICANO

 

As pessoas refletem muito pouco sobre o sentido da vida, e muito menos sobre o sentido da própria vida. Geralmente quem tem essa curiosidade ou procura encaixar o sentido da sua existência em algum propósito, ou simplesmente não vê sentido algum em nada. Os do segundo grupo são chamados discípulos de Nietzsche. Eles são niilistas. Para este grupo de pessoas as crenças e os valores tradicionais são infundados e não há qualquer sentido ou utilidade na existência. Essa reflexão não é para as pessoas que pensam assim.

Os que procuram encaixar o sentido da sua existência em algum propósito costumam percorrer dois caminhos, eu os chamo de individualismo existencial e de revelação existencial. Vou deixar o último caminho para falarmos no final. O caminho do individualismo existencial é percorrido por aqueles que acreditam que eles mesmos devem criar ou definir o propósito para sua vida. Já que ninguém consegue criar nada totalmente novo, muitos propósitos de vida são definidos à partir de sentidos disseminados pela cultura. E é aqui que entra o Sonho Americano.

É muito provável que você já tenha escutado ou visto essa expressão. Ela faz parte da construção de identidade dos Estados Unidos e representa o sucesso absoluto. Numa cultura globalizada como a nossa, é lógico que o Sonho Americano já se tornou o Sonho Brasileiro. Definir o Sonho Americano como o propósito de sua vida significa que você vai viver para buscar um padrão de vida ideal. Todos podem alcançar esse padrão. Eles só precisam se esforçar para sair de uma extrema pobreza para a extrema riqueza material.

Eu não citei o Sonho Americano aqui para mostrar sua falta de ressonância com a realidade. Na verdade, o mencionei para mostrar que muitos são guiados por ele. Eu sei que o propósito da minha vida representa o Sonho Americano quando todos os meus esforços estão empregados para alcançá-lo. Acordo pela manhã para estudar e trabalhar em busca da casa própria, do carro do ano e do emprego midiático. O sentido da minha vida é definido como buscar prosperidade e viver colhendo os benefícios dela.

Essa reflexão tem como objetivo apresentar um caminho alternativo para definir o sentido da minha existência. Eu o chamei de revelação existencial. Esse caminho passa pelo que Jesus Cristo fez e ensinou. É revelação porque entrou na nossa história. É existencial porque possui impactos na vida de incontáveis pessoas e pode ter na sua vida a partir de hoje. 

Para entendermos esse caminho da revelação existencial, precisamos falar sobre o Reino de Deus. “O reino de Deus é, fundamentalmente, o governo soberano de Deus expresso e realizado através dos diferentes estágios da história da redenção”[1]. Contudo, desde que Jesus Cristo entrou na história, o reino completado, o poderoso governo de Deus, estava entrando na “vida histórica de uma nova forma, pois aqui temos o Rei vindo pessoalmente ‘anunciar o ato redentor decisivo de Deus, e realizá-lo”[2].

Jesus Cristo realizou esse ato decisivo ao viver, morrer e ressuscitar. E agora todos que creem que isso que ele fez foi por causa de nossa rebelião e, consequentemente, constante ofensa a Deus, são declarados e conhecidos como povo de Deus. Sendo isso tudo resultado de um ato esplêndido e sublime de favor imerecido. Todos eles agora podem “experimentar a plenitude da vida eterna e as abundantes bênçãos da nova criação”[3].

O caminho da revelação existencial é um convite para participar de algo cósmico. É um convite para aqueles que estão se esforçando para viver o pequeno e passageiro Sonho Americano. Deixe-o de lado e venha participar do Reino cósmico do Deus trino. Eu sei que você atribui sua identidade àquilo que você sente, possui ou faz. Identidade, contudo, não é questão de quem somos, mas a quem pertencemos.

Viver como cidadão do reino de Deus é compartilhar uma linguagem espiritual comum e uma aliança que ultrapassa todas as demais lealdades [4]. Esse reino será estabelecido plenamente quando Jesus voltar. Ele será diferente de todos os governos que tivemos e temos. Totalmente Justo. Totalmente Pacífico. Altamente Alegre. Profundamente Belo. Viver a partir da realidade do Reino de Deus é algo muito maior e melhor do que pela do Sonho Americano.

O reino é eterno, o Sonho americano é passageiro. O motivo do Reino é a glória de Deus, o motivo do Sonho americano é a glória do ser humano. Os esforços dentro do Reino são respostas ao favor imerecido do Rei, os esforços do Sonho Americano visam apenas uma aparente satisfação pessoal. O viver dentro do Reino é compartilhado e visa bem comum. O viver do Sonho Americano fomenta uma individualidade exagerada.



Escrito por: Wellington Ribeiro.

Revisado por: David Viana.

Design: Paulo Cezar.


Referências:

[1] Trechos do capítulo escrito por Stephen Um. Carson, D.A.; Keller, Timothy. O Evangelho no Centro: Renovando nossa fé e reformando nossa prática ministerial . Editora Fiel.

[2] Idem.

[3] Idem.

[4] Idem.





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