JESUS E A MINHA VIDA DIÁRIA [HOJE E NO MUNDO POR VIR]
“Jesus veio salvar apenas minha alma do inferno e me levar para o céu, onde ficarei cantando louvores eternamente ao lado de incontáveis anjos com suas harpas”. Caro leitor, esse poderia muito bem ser o resumo que receberia da maioria dos evangélicos brasileiros se perguntasse-os o que Jesus fez ao morrer e ressuscitar. Reduzir o que Jesus fez e fará assim é problemático por alguns motivos elementares da fé cristã.
Esse reducionismo diminui as consequências da rebelião do ser humano para com seu Criador. Um entendimento correto da Doutrina da queda passa antes pela Doutrina da Criação. Deus criou o universo e o ser humano para o louvor da sua glória. O ser humano desfrutava de um relacionamento íntimo com Deus. Seu papel no palco da glória de Deus era desenvolver e cuidar deste espaço. O desenvolvimento passava pela geração de novas famílias e do uso da tecnologia. O cuidado certamente envolvia o que hoje entendemos por sustentabilidade.
Nem tudo são flores, pois o ser humano resolveu viver a sua vida de acordo com sua própria sabedoria e não de acordo com a sabedoria de Deus, oriunda do seu relacionamento íntimo com Ele. As consequências disso são vistas até hoje: desprezo a Deus; avanços sociais que ignoram as normas de Deus; avanços tecnológicos irresponsáveis; aquecimento global, dentre outros. Até aqui você já percebeu que se Jesus viesse resolver apenas o fato das pessoas desprezarem a Deus e, consequentemente, serem enviadas para o inferno, não resolveria todos os problemas da queda.
Esse reducionismo também diminui a Redenção e a Palavra Escrita de Deus. Se a Queda trouxe consequências muito além da nossa relação com Deus, a redenção também precisa ir muito além. As obras salvíficas de Jesus e sua Palavra se aplicam a absolutamente a todas as esferas da vida — às artes e à ciência, aos negócios e ao empreendedorismo, à academia e educação, à política e economia [1]. Também não podemos esquecer que a Bíblia indica que vivemos dentro de um mundo criado por Deus, numa história governada por Deus, como seres humanos responsáveis perante Deus [2].
Se Cristo é o nosso Mestre e nós seus servos, devemos lhe obedecer. Mas obediência significa pouco ou nada se não há formas específicas em que devemos obedecer [3]. A Bíblia possui mandamentos específicos, mas eles são dados para pessoas que estão interagindo com a cultura, com o mundo, com o universo. Sendo assim, isso requer sabedoria para discernir as implicações para a nossa vida diária. Portanto, não podemos estudar, trabalhar, fazer ciência, se relacionar, praticar esporte, usar tecnologia e liderar projetos sociais, por exemplo, sem refletir nas implicações da Palavra Escrita para cada uma dessas ações.
E por fim, esse reducionismo também diminui o Senhorio da Palavra Encarnada hoje e no mundo por vir. Nós pertencemos a Cristo. Cristo é o Senhor não apenas sobre almas individuais, mas também sobre o Universo [4]. Sendo isso verdade, nós precisamos explorar as consequências práticas dessa realidade. Além disso, quando Jesus voltar, céus e terra serão a mesma realidade. Deus habitará com seu povo, no meio do seu povo e em seu povo. Não é preciso especular para sabermos que o desenvolvimento e o cuidado ordenado por Deus lá na Criação continuarão por toda a eternidade.
Diante do exposto, esqueça a ideia reducionista de que “Jesus veio salvar apenas minha alma do inferno e me levar para o céu, onde ficarei cantando louvores eternamente ao lado de incontáveis anjos com suas harpas”. Seja convencido pelo Espírito Santo de que o Senhorio de Jesus hoje e no mundo por vir é tão amplo quanto à criação e, portanto, tão amplo quanto as nossas atividades diárias, seja no mundo atual ou no mundo por vir.
Referências:
[1] O senhorio de Cristo. Vern S. Poythress. Editora Monergismo.
[2] Idem.
[3] Idem.
[4] Idem.
Escrito por: Wellington Ribeiro.
Revisado por: David Viana.
Design: Paulo Cezar.
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