SOU APENAS UM “SACO QUÍMICO AMBULANTE”
“Seis milhões de judeus morreram nos campos de concentração, mas seis bilhões de frangos morrerão este ano em matadouros”. Essa foi uma colocação feita pela fundadora da People For the Ethical Treatment of Animals (PETA), Ingrid Newkirk, ao repórter do Washington Post. Fiquei profundamente abalado e indignado após ler isso.
Ninguém faz uma declaração como essa sem antes defender a ideia de que o ser humano é apenas um “saco químico ambulante”. E ninguém defende a ideia de que uma pessoa é apenas um saco químico ambulante sem negar o ensino cristão de Gênesis 1 e 2. Mas a frase dita acima não é a única consequência da negação da verdade bíblica.
Se o ser humano é apenas um “saco químico ambulante”, ele não tem nada de especial. Durante uma palestra, o Dr. Enéias Carneiro afirmou: “Nada é mais belo nesse planeta do que o ser humano”. A complexidade do seu corpo, seu misterioso cérebro, sua racionalidade exclusiva, sua curiosa experiência de amar, sua constante busca por sentido e a insatisfação profunda com a morte; tudo isso é prova contundente de que o ser humano é um ser especial. Mas se Gênesis 1 e 2 é um conto de fadas, todas as características citadas são reduzidas a processos naturais e não podem tornar o ser humano alguém especial.
Se o ser humano é apenas um “saco químico ambulante”, ele não tem significado. A ciência pode mostrar como as coisas funcionam, mas não pode afirmar a razão de essas coisas existirem. Qual o significado da vida? Nascer, crescer, reproduzir-se, deteriorar-se até morrer. Descobrir o ciclo da vida não produz significado, apenas me deixa consciente das etapas da minha existência. Para atribuir significado à vida, preciso de uma história que seja coerente. Mas negar o ensino cristão é destruir a única história coerente que existe.
Se o ser humano é apenas um “saco químico ambulante”, ele não tem dignidade. Por que uma pessoa deveria ser tratada diferente de outro ser vivo se todos eles vieram de um ancestral comum? Somos apenas outro saco químico? Então, temos que receber o mesmo tratamento dos sacos restantes. Direitos humanos e direitos dos seres vivos deveriam possuir a mesma atenção jurídica, social e governamental.
Se o ser humano é apenas um “saco químico ambulante”, ele não tem valor distinto. Essa consequência é resultante da anterior. Matar um ser humano e matar um frango é a mesma coisa. A vida de uma pessoa deve ter o mesmo valor da vida de um frango. Os frangos também têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Na lógica naturalista estrita, a ONU deveria emitir com urgência uma declaração universal dos direitos dos frangos.
Se o ser humano é apenas um “saco químico ambulante”, ele não tem propósito. Saber como as coisas funcionam não significa saber o propósito das coisas existirem. Por que eu existo? Eu poderia não existir. Eu existo porque houve uma grande explosão; existo porque eventos aleatórios aconteceram até chegarmos aqui. Meu propósito de vida seria apenas “evoluir assim como o frango, o cachorro, o gato ou o papagaio...”
O pensamento de que o ser humano é apenas um “saco químico ambulante” apresenta incoerências gigantescas. Como um saco químico ambulante é racional? Como possui um senso de certo e errado conforme explicado por C.S. Lewis em Cristianismo Puro e Simples?
Esse pensamento também não explica o curioso fenômeno do amor que “tem razões que até a razão desconhece”, citando o filósofo francês Blaise Pascal. A conclusão da neurociência é de que “o amor é um fenômeno complexo e multifatorial”. Assim, o naturalismo tenta reduzir o amor a meras reações neuroquímicas ou vantagens adaptativas da evolução, o que esvazia a beleza e a verdade desse fenômeno.
E a busca por sentido, ou o aspecto religioso do ser humano? Nunca entrei numa fazenda e vi as galinhas cultuando. A conclusão de um estudo publicado no Current Directions in Psychological Science é que “a crença religiosa envolve uma complexa interação”. João Calvino, no século XVI, disse que o motivo da nossa busca por sentido é o Sensus Divinitatis, isto é, uma consciência ou senso de Deus implantado em todas as pessoas por natureza.
“Sou apenas um saco químico ambulante” é a grande mentira do nosso tempo. No nível social, as razões dessa narrativa são ideológicas e comerciais. Ideologicamente, despir o ser humano de sua dignidade divina facilita a engenharia social: um indivíduo reduzido à matéria é mais fácil de ser manipulado, controlado e descartado quando deixa de ser útil. Comercialmente, o reducionismo transforma a própria vida em mercadoria. Se não há nada de sagrado no ser humano, seu corpo, suas emoções e sua atenção viram meros produtos de consumo para uma indústria que lucra com sua insatisfação crônica.
No nível espiritual, porém, a razão é abertamente diabólica. Desde o jardim, a estratégia do inimigo é desacreditar a voz do Criador e rebaixar a coroa da Sua criação. Rebaixar o homem é atacar, por tabela, o próprio Deus a cuja imagem fomos feitos. Afinal, se a humanidade convencer a si mesma de que não passa de matéria aleatória, ela jamais buscará a redenção em Cristo.
Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. É daqui que flui o fato de que eu e você somos especiais. É daqui que flui o nosso significado, a nossa dignidade e o nosso valor distinto. É daqui que flui o nosso propósito. Essa é a verdade de Deus que destrói a mentira a respeito do que somos.

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