A COSMOVISÃO CRISTÃ E O RACISMO: SOMOS TODOS IGUAIS


A COSMOVISÃO CRISTÃ E O RACISMO: SOMOS TODOS IGUAIS



O discurso “Eu tenho um sonho” de Martin Luther King, exposto no dia 28 de agosto de 1963, em Washington DC, trouxe à tona algo que todos sabemos: a escravidão começou a ser abolida oficialmente no mundo no início do século XIX, mas em pleno século XX ainda persistiam arestas a serem aparadas. Fato contínuo, infelizmente, no presente século XXI, o racismo estrutural, como Silvio Luiz de Almeida defendeu em seu livro sobre o assunto*, isto é, um processo histórico e político em que as condições de subalternidade ou de privilégio de sujeitos é estruturalmente reproduzida à partir da cor da pele, parece ainda persistir.

No dia 25 deste mês, nos Estados Unidos, um homem de 46 anos, George Floyd, morreu asfixiado enquanto um policial ajoelhado esteve sobre seu pescoço durante uma abordagem. Os policiais chegaram ao local em resposta à uma chamada que acusava um homem (George Floyd) de tentar usar cartões falsos em uma loja de conveniência.

Em tom de desabafo, Martin Luther King em certa parte do seu discurso relata: "Não estaremos satisfeitos enquanto o negro for vítima dos indescritíveis horrores da brutalidade policial". 56 anos depois, ainda não estamos satisfeitos. Reconheço que o racismo praticado pelo policial pode ser caracterizado como um racismo individual, mas não sou leigo em acreditar que ele não é alimentado pelo racismo estrutural.

O que pouca gente sabe é que o discurso em questão é fruto da cosmovisão cristã que o autor possuía. A dignidade do ser humano é oriunda do fato de que ele foi feito à imagem do Deus que é infinitamente digno. Isso significa de maneira simplista o que o Dr. Enéas Carneiro disse em uma das suas palestras em 1999: "Eu creio que a diferença entre um pobre homem que varre o chão e um profissional de medicina que “cateteriza”, que abre uma artéria, é o nível de informação". Em resumo, o cristianismo defende categoricamente que todos somos iguais porque fomos criados à imagem de Deus.

Sendo todos iguais, de onde vem o racismo? Inúmeros estudiosos no decorrer dos séculos vêm tentando mapear sua origem. Talvez os sociólogos digam que o racismo é oriundo de um processo histórico. Mas isso não é explicar realmente a origem do racismo. No máximo é mostrar como ele desenvolveu-se no decorrer do tempo. Os sociólogos explicam o DESENVOLVIMENTO e não a ORIGEM do racismo. Eu creio que Jesus Cristo disse-nos a origem do racismo há muitos séculos: o coração do ser humano que foi depravado pelo pecado. Leia Marcos 7:21-23.

Qual a única solução completa para o racismo tendo em vista sua origem? Primeiro tenho que começar dizendo que qualquer “solução” meramente externa não resolverá o problema. Pense em quantas campanhas contra o racismo já tivemos; pense sobre quantas leis foram criadas para inibi-lo; pense em quantas palestras educativas. Se tudo isso compõe a solução, qual o motivo de ainda termos casos no país de primeiro mundo como o Estados Unidos? Reflita.

Em segundo lugar, C.S Lewis disse que: "você só pode sair de uma experiência entrando em outra", trazendo ao contexto, o racismo vai ser extinto quando as pessoas saírem de uma “experiência racista” para entrar numa “experiência de igualdade”. Essa experiência de igualdade só acontece realmente dentro da família de Deus (Gálatas 3:28). Só existe um caminho para entrar na família de Deus: Contudo, aos que o receberam (Jesus), aos que creram em seu nome, deu- lhes o direito de se tornarem filhos de Deus (João 1:12). 

O evangelho é a única solução completa não somente para o racismo, mas para todos os efeitos destruidores do pecado, porque ele não visa melhorar as pessoas, mas transformá-las de dentro para fora. É por isso que C.S Lewis em seu livro Cristianismo Puro e Simples disse: "Deus não quer simplesmente obediência a um conjunto de regras (como as outras soluções para o racismo defendem), mas pessoas com qualidades singulares em seu interior". O sonho de Martin Luther King só será plenamente realizado dentro da experiência de igualdade da família de Deus, pois ela possui pessoas de todo povo, língua, tribo e nação (Apocalipse 5:9).



Escrito por: Wellington Ribeiro
Revisado por: David Viana
Design: Paulo Cezar Jr


Referências:


Cristianismo Puro e Simples. C.S Lewis. Thomas Nelson Brasil; Edição: 2 (4 de
setembro de 2017)

Discurso Eu tenho um sonho de Martin Luther King:


Em palestra de 1999, Dr. Enéas explica por que acredita em Deus



Racismo Estrutural. Silvio Almeida. Pólen Livros (10 de julho de 2019)

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