COMO SEI QUE ESTOU CERTO






COMO SEI QUE ESTOU CERTO


Há poucos meses, passei por uma discussão sobre o que seria ética, numa disciplina da faculdade de administração. Isso me pôs, durante os dias seguintes, em aprofundamento ao tema, buscando compreender a influência desta sobre como enxergo, interpreto e vivo a realidade.

Meu professor ministrava a importância do desenvolvimento sustentável e as pequenas ações que nós, como indivíduos, podemos ter para contribuir nesse processo. “A ética é universal, logo devemos "fazer o correto" porque iremos saber que fizemos, independente da observação de outra pessoa”, referindo-se à consciência estava o docente.

Eis a questão: por que alguns comportamentos impedem que eu fique em paz comigo mesmo e outros não? A minha consciência veio com um padrão de certo ou errado ou isso é uma construção social?

Algumas semanas depois da discussão em sala de aula, numa conversa de horário de almoço, comecei a questionar da seguinte forma uma colega sobre o assunto: “você concorda comigo que, para sabermos que algo é certo ou errado, necessitamos de um padrão?" Ela disse que sim. Tendo isso como fundamento, continuei: "de onde veio este padrão que determina aquilo que é certo ou errado?" Ela disse: "Das leis".

Então perguntei sobre a origem das leis. “Dos erros e acertos do passado", foi a resposta obtida. Nesse ponto a conversa chegou ao fim por vontade dela, pois insisti em um novo questionamento: "mas como nossos ancestrais sabiam que eles cometeram erros e acertos?" Então, ela finalizou dizendo: "assim tu vais dá um nó na cabeça".

Decidi mencionar essas duas situações para mostrar que a reflexão da origem da ética exige que pensemos um pouco mais que o "normal". Meu professor trouxe à tona a questão da consciência. Mas o que é consciência?

Vamos defini-la como sentido, ou percepção, que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais. A pergunta a ser respondida é: de onde veio esta métrica que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado?

Na visão naturalista do mundo, a ética é autônoma e situacional, isto é, eu ajo de determinada forma para determinada situação. Dessa forma, certo e errado é algo subjetivo. O que é certo para mim pode ser errado para você e vice-versa. Contudo, organizar a legislação de uma sociedade na subjetividade de cada indivíduo seria um caos total, pois ética baseada em instinto ou satisfação não funciona.

Portanto, precisamos admitir que existe um "padrão de valores universais". É nesse momento que surge a dificuldade da cosmovisão naturalista que não encontra fundamento na matéria e na energia para a ética. Richard Dawkins, talvez o principal expoente dessa visão de mundo na atualidade, disse: "A ciência não tem qualquer método para decidir o que é ético... É muito difícil defender valores morais absolutos sobre algum fundamento que não o religioso".

Como a visão naturalista não responde de onde veio o "padrão de valores universais", o que a cosmovisão cristã tem a dizer a respeito disso?

Na cosmovisão cristã o caráter divino é o fundamento da ética cristã. Contudo, Deus colocou no coração - inclui a nossa consciência, mas não se limita a ela - do ser humano sua impressão ética. Esse é o motivo pelo qual temos uma noção de certo ou errado. Essa é a origem desse "padrão de valores universais".

Talvez seja difícil para você entender, pois já nasceu dentro de legislações funcionando. Depois da queda do ser humano do seu estado de perfeição relacional tridimensional (Deus, o próximo, e consigo mesmo), como relata a cosmovisão cristã, ele necessita constantemente de um resgaste da lei que foi impressa no seu coração.

A narrativa dessa “queda” do ser humano é a razão de termos apenas uma noção do que é certo ou errado, que muitas das vezes não é clara e nem abraçada por todos. As divergências ocorrem porque algo está errado conosco, como resultado, o ser humano procura aprisionar essa lei impressa em seu coração, entregando-se aos seus desejos em busca de satisfação, querendo que sua subjetividade seja certa e, portanto, aceita.

Desesperadamente, precisamos da internalização da lei de Deus (Resumida nos Dez Mandamentos) no nosso coração, para voltarmos ao estado de perfeição moral. Essa é a esperança cristã oriunda da vida e obra de Jesus.



Escrito por: Wellington Ribeiro
Revisado por: David Viana
Design: Paulo Cezar Jr

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