REALIDADE VIRTUAL E O PERIGO ÉTICO

Não é só a necessidade que leva as pessoas a passarem mais tempo no mundo virtual do que no real. Existem certas possibilidades nele que não temos na realidade. Acessar o mundo virtual, por exemplo, é muito melhor que ter um sonho lúcido, pois dificilmente você conseguirá repetir a mesma experiência de um sonho de novo.

O mundo virtual é melhor, justamente, porque permite a cada um de nós, em certa medida, a repetição de uma experiência que nos agrada. A grande questão é que nem todas essas experiências são gratuitas. O que significa que teremos que investir nosso dinheiro em algum momento para manter ou turbinar essa experiência.

Isso acontece muito com certos aplicativos e jogos online. No livro Jogador Número 1, existe um mundo virtual chamado Oasis. Entrar nele é grátis, contudo, uma experiência melhor exige certos investimentos financeiros. O protagonista, em certo trecho, diz o seguinte:

"O OASIS tornou-se uma parte tão significante da vida das pessoas que os usuários estavam sempre mais que dispostos a abrir mão de dinheiro de verdade para comprar acessórios para seus avatares".

É valido ressaltar que não há nada de errado em você investir dinheiro em aplicativos e jogos online como acontecia com os integrantes do Oasis. Seria pecado você simplesmente deixar de satisfazer suas necessidades, as da sua família e as de sua comunidade por causa dessa atitude. Você estaria invertendo prioridades. Além disso, seria tolice acreditar que o simples desejo por algo no mundo virtual significa que você precisa disso para viver. O cristão precisa viver com simplicidade. Isso significa que ele não tem que ser um acumulador, mesmo que todas as pessoas a sua volta vivam como acumuladores.

Além dessa inversão de prioridades, o perigo ético do constante uso desordenado do mundo virtual é a naturalização de certos pecados. Read Mercer, em seu artigo Mídias sociais e a perda da comunicação corporificada, disse:

"De fato, a crescente alta com pornografia, masturbação, corte e imagem corporal pode ser simplesmente uma tentativa do organismo humano de voltar a entrar em contato com seu eu desencarnado como um meio de verificar ou provar a existência física de alguém. "Atingo o orgasmo autoestimulado logo existo" e "sinto dor autoestimulada, logo existo" - pode ser a maneira desta geração de provar a si mesma que não deixou de existir".

Essa constatação de Read Mercer é abordada pela protagonista de Jogador número 1 da seguinte forma:

"Eu não sentia vergonha de me masturbar. Graças ao almanaque de Anarok, eu realmente achava se tratar de uma necessidade corporal, tão necessária e natural como dormir e comer".

Nas palavras de Read Mercer, o protagonista da obra naturalizou o pecado da masturbação e usou dele para "provar a si mesmo que não deixou de existir". O cristão não deve inverter prioridades. Read Mercer disse:

"Os cristãos devem ser conhecidos por seu amor - altruísmo caridoso em sacrificar a si mesmo por outras pessoas que consideramos mais importante que nós" (Fp 2:3).

O cristão não deve 'naturalizar pecados' nem que seja pela finalidade de se 'sentir vivo'. Pecado é pecado em qualquer lugar. Seja no mundo real ou virtual, o pecado é uma ofensa pessoal a Deus. Como depois de recebermos tanto amor imerecido iremos 'naturalizar' pecados que entristecem o coração de nosso Pai e que levaram à cruz o Senhor Jesus Cristo?


Escrito por: Wellington Ribeiro.

Revisado por: Monize Yasmin.

Design: Paulo Cezar.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O HOMEM PÓS-MODERNO NÃO SURGIU POR ACASO

A NATUREZA DO AMOR DE DEUS NA SALVAÇÃO DE PECADORES

TODA FORMA DE AMOR É VÁLIDA?