REALIDADE VIRTUAL E A NOSSA VIDA

 


No vídeo Can technology save humanity [1], Tom Cozens disse que a inteligência artificial nos dá oportunidades, não apenas para ampliar a capacidade de nossos corpos, mas também das nossas mentes, talvez ampliando o prazer. Se olharmos para os jogos, por exemplo, eles tornaram possível alcançarmos objetivos num ambiente completamente virtual.


Contudo, existe um grande perigo de não vivermos, no sentido pleno da palavra, quando usamos constantemente e de forma desordenada o mundo virtual. No livro, jogador número 1, o personagem principal é acusado por sua pretendente nesse sentido. Em certo trecho, lemos:


 "Você não vive no mundo real, z. Pelo que me disse, acho que nunca viveu. Você é como eu. Vive dentro dessa ilusão".


Sendo assim, temos que reconhecer que a verdadeira vida não pode ser vivida no ambiente virtual. Isso não significa que não devemos fazer uso, por exemplo, das redes e mídias sociais que o ambiente virtual possibilita. Entretanto, não podemos ir no outro extremo e achar que viver no mundo virtual é o mesmo que viver no mundo real.


De forma geral, dois motivos são os responsáveis por nos fazer subestimar o grande perigo de acreditar que podemos viver no mundo totalmente tecnológico: a distração e o autoengano. A professora Noreen Herzfel disse no vídeo Can technology save humaity que: 


“Embora esteja claro que o prazer é algo que todos nós queremos, nós também nos enfadamos dele em algum momento". 


A questão é que até chegarmos a esse "enfado", nós podemos ser demasiadamente distraídos. Voltando a narrativa de Jogador número 1, em certo trecho o protagonista dispara: 


"Essas missões me mantinham ocupado e serviam como uma boa distração para a solidão e o isolamento crescentes que eu sentia".


Cuidado! a distração que a realidade virtual oferece, além de poder ser uma forma de mascarar problemas psicológicos e espirituais, também pode ser uma maneira de tirar o seu foco das verdadeiras prioridades da sua vida


Vale ressaltar que a distração é resultado de um autoengano. Um trecho do livro Jogador Número 1 é oportuno também nessa questão. Nele vemos o protagonista admitir: 


"Depois, parava e passava um momento olhando para minha estação de imersão. Quando comprei todas aquelas coisas, senti um orgulho enorme. Mas nos últimos meses, tinha passado a ver tudo aquilo de modo racional: uma geringonça para enganar meus sentidos, permitindo que eu vivesse em um mundo que não existia". 


Nós podemos até achar que vivemos no mundo virtual, mas bem lá no fundo sabemos que isso não é verdade. Você que acha que vive, em algum momento vai ter que reconhecer, como o protagonista de jogador número 1 reconheceu.  Nessa linha, a professora Noreen Herzfel acredita que nós seríamos menos realizados e menos humanos, se mergulhássemos num mundo criado por nós mesmos e não no mundo natural no qual crescemos e fazemos parte.


Read Mercer, em seu artigo Mídias Sociais e a Perda da Comunicação Corporificada, apresenta para nós a alternativa cristã adequada para nossa relação com o mundo virtual. Ele diz: 


"Talvez a dieta mais saudável da mídia seja realmente simples: andar, conversar e agir em nosso ser encarnado, como Cristo fez entre os pobres, os doentes e os marginalizados. Precisamos nos acalmar tempo suficiente para ouvir o sussurro que nos dirá que comida nos nutrirá profundamente e que comida apenas encherá a boca e tornará impossível realmente dizer algo que valha a pena falar".




Referências:


[1] Can technology save humanity




Escrito por: Wellington Ribeiro.

Revisado por: Monize Yasmin.

Design: Paulo Cezar.









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